Os bovinos da raça MARCHIGIANA têm origem muito antiga. Originários das raças podólicas, foram introduzidos na Itália depois do século V d.c., juntamente com os povos bárbaros que, depois da queda do Império Romano, invadiram a região de Marche. Então, difundiram-se pelas regiões próximas caracterizadas por verões secos e quentes e por invernos úmidos e frios, onde as terras, em sua maior parte são argilosas e compactas, ou saibrosas e áridas. Nesta região montanhosa, a produção de massa verde não é abundante e as forragens são geralmente de qualidade inferior. As difíceis condições ambientais e alimentares, assim como o emprego continuado nos trabalhos de campo, e os vários cruzamentos com outras raças que habitavam a Itália, como a Chianina, Romagnola, e outras acentuaram, com o passar dos séculos, o desenvolvimento das massas musculares, e os dotes de resistência, precocidade, fertilidade e docilidade que caracterizam os indivíduos dessa raça bovina. Na Itália país de origem da raça, somente em 1930 foi instituído o livro Genealógico da raça Marchigiana e criado um Padrão da Raça tendo em conta as características morfo-funcionais médias dos bovinos então existentes. Os trabalhos de seleção passaram a ser então dirigidos no intuito da obtenção de animais produtores de carne, visto que até essa época, os bovinos eram criados e selecionados também para o trabalho no campo. A
Marchigiana no Brasil
Dando seqüência aos seus trabalhos de divulgação, Dr.Bonaspetti distribuiu o sêmen recebido, entre diversos criadores gaúchos, entre os quais, Pedro Pimentel Rodrigues, criador de gado Aberdeen Angus em Rio Pardo RS que veio a se tornar um entusiasta da raça. Seus bezerros, cruzados Marchigiana/Alberdeen foram ganhadores do 1º. Concurso de Novilhos Precoces do Rio Grande do Sul, em 1969. Joel de Paiva Cortes, um carioca, já falecido, que posteriormente viria a ser o primeiro Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Marchigiana, grande selecionador de gado Guzerá na Fazenda Nova Delhi, em Matão-SP, em 1969 importou da Itália o primeiro lote de animais da Raça Machigiana que chegou ao Brasil. Foram dois touros, Gaio e Gitano e dez vacas entre as quais, Grilha, e Giglia, animais esses que firmaram suas linhagens, até hoje expressivas. Em 1971, a Liquifarm do Brasil S/A Agropecuária, sob a presidência de Mario Gorla e orientada pelo Assistente de Diretoria, o nosso já conhecido Dr.Ermano Bonaspetti, importou da Itália, para a Fazenda Santa Cecília, em Araçatuba-SP, o seu primeiro lote de animais Marchigiana, constituído de 10 machos e 25 fêmeas. Uma segunda importação seria efetivada em novembro de 1972, e incluiu 35 fêmeas. Em 1972, Ermilio Ometto, presidente da Agro Pecuária Santana S/A, adquiriu da Liquifarm S/A, um lote desses animais importados, composto por 10 fêmeas e 2 machos, entre os quais o raçador Manilo que deixou numerosa progênie.
O processo de coleta, congelamento
e transferência de embriões, encontrou na raça Marchigiana
material altamente compatível e foi intensamente utilizado pelos
criadores, contribuindo também para a melhoria quantitativa e qualitativa
de seus planteis. Os introdutores dessa adiantada tecnologia foram Drs.
Fabio Pedriali, Aurelino Menarin e Roberto Moser de Abreu que juntos,
na Fazenda Quatro Irmãos em Umurama Paraná, lutaram para
aperfeiçoar e viabilizar esse processo. ANABIC (Associazione
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