Touro  POOrigem da raça
Os bovinos da raça MARCHIGIANA têm origem muito antiga. Originários das raças podólicas, foram introduzidos na Itália depois do século V d.c., juntamente com os povos bárbaros que, depois da queda do Império Romano, invadiram a região de Marche. Então, difundiram-se pelas regiões próximas caracterizadas por verões secos e quentes e por invernos úmidos e frios, onde as terras, em sua maior parte são argilosas e compactas, ou saibrosas e áridas. Nesta região montanhosa, a produção de massa verde não é abundante e as forragens são geralmente de qualidade inferior. As difíceis condições ambientais e alimentares, assim como o emprego continuado nos trabalhos de campo, e os vários cruzamentos com outras raças que habitavam a Itália, como a Chianina, Romagnola, e outras acentuaram, com o passar dos séculos, o desenvolvimento das massas musculares, e os dotes de resistência, precocidade, fertilidade e docilidade que caracterizam os indivíduos dessa raça bovina. Na Itália país de origem da raça, somente em 1930 foi instituído o livro Genealógico da raça Marchigiana e criado um Padrão da Raça tendo em conta as características morfo-funcionais médias dos bovinos então existentes. Os trabalhos de seleção passaram a ser então dirigidos no intuito da obtenção de animais produtores de carne, visto que até essa época, os bovinos eram criados e selecionados também para o trabalho no campo. 

A Marchigiana no Brasil 
Dr. Ermano BonaspettiNo ano de 1965, Dr.Ermano Bonaspetti, um italiano que se tornou brasileiro, encontrou em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o Profº.Telesforo Bonadonna da Universidade de Milano e Dr. Alberto Viganó, Diretor Técnico da ANABIC, entidade que efetua o Registro Genealógico da Raça Marchigiana na Itália, e por seu intermédio, adquiriu doses de sêmen de um touro muito famoso na Itália. No ano de 1966, Dr. Bonaspetti pela primeira vez em nosso país divulgou para a imprensa do Rio Grande do Sul, por meio de artigos de sua autoria, as virtudes da raça que tão bem conhecia em seu país de origem. Utilizando o sêmen adquirido, fez inseminações em Uruguaiana - RS com muito sucesso. 

Dando seqüência aos seus trabalhos de divulgação, Dr.Bonaspetti distribuiu o sêmen recebido, entre diversos criadores gaúchos, entre os quais, Pedro Pimentel Rodrigues, criador de gado Aberdeen Angus em Rio Pardo RS que veio a se tornar um entusiasta da raça. Seus bezerros, cruzados Marchigiana/Alberdeen foram ganhadores do 1º. Concurso de Novilhos Precoces do Rio Grande do Sul, em 1969. Joel de Paiva Cortes, um carioca, já falecido, que posteriormente viria a ser o primeiro Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Marchigiana, grande selecionador de gado Guzerá na Fazenda Nova Delhi, em Matão-SP, em 1969 importou da Itália o primeiro lote de animais da Raça Machigiana que chegou ao Brasil. Foram dois touros, Gaio e Gitano e dez vacas entre as quais, Grilha, e Giglia, animais esses que firmaram suas linhagens, até hoje expressivas. Em 1971, a Liquifarm do Brasil S/A Agropecuária, sob a presidência de Mario Gorla e orientada pelo Assistente de Diretoria, o nosso já conhecido Dr.Ermano Bonaspetti, importou da Itália, para a Fazenda Santa Cecília, em Araçatuba-SP, o seu primeiro lote de animais Marchigiana, constituído de 10 machos e 25 fêmeas. Uma segunda importação seria efetivada em novembro de 1972, e incluiu 35 fêmeas. Em 1972, Ermilio Ometto, presidente da Agro Pecuária Santana S/A, adquiriu da Liquifarm S/A, um lote desses animais importados, composto por 10 fêmeas e 2 machos, entre os quais o raçador Manilo que deixou numerosa progênie. 

Touro POEm Itororó na Bahia, o pecuarista Sinval Palmeira, Presidente da Cabana da Ponte Agropecuária Ltda. empresa que se dedicava à criação de bovinos, coleta e comercialização de sêmen bovino, em 1975 importou também da Itália, 38 fêmeas e 5 machos Marchigiana, animais esses que, posteriormente foram adquiridos por criadores do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, enriquecendo os planteis desses criadores com valiosa carga genética. Dessas cinco importações principais, acrescidas de posteriores importações menores, de animais, sêmen e embriões congelados, oriundas da Itália, Canadá e Argentina, formou-se o atual plantel Marchigiana do Brasil.

O processo de coleta, congelamento e transferência de embriões, encontrou na raça Marchigiana material altamente compatível e foi intensamente utilizado pelos criadores, contribuindo também para a melhoria quantitativa e qualitativa de seus planteis. Os introdutores dessa adiantada tecnologia foram Drs. Fabio Pedriali, Aurelino Menarin e Roberto Moser de Abreu que juntos, na Fazenda Quatro Irmãos em Umurama Paraná, lutaram para aperfeiçoar e viabilizar esse processo. 
Em setembro de 1995 alguns criadores associados resolveram promover uma nova importação de Marchigiana da Itália. Para tanto, enviaram a esse país, diversos técnicos brasileiros, que percorreram os criatórios da região de Marche, selecionando os produtos que julgaram interessantes, sob o ponto de vista morfológico e de linhagem. Foram escolhidos e adquiridos, 36 animais, sendo 35 fêmeas e um macho. 
Em 1972 foi fundada a Associação Brasileira dos Criadores de Marchigiana, cujo plantel atual no país é composto de aproximadamente 39.000 animais Puros de Origem e Puro por Cruzamento e aproximadamente 400.000 animais cruzados. Esse expressivo aumento populacional só se tornou possível, principalmente devido ao alto grau de fertilidade, uma das características da raça, e ao trabalho desenvolvido pelos superintendentes Técnicos da ABCM, inicialmente, Prof. João Soares Veiga, seguido por Dr. Adilson Cresta, Dr. Tomaz Eigi Okita, Luciana Neuenhaus e atualmente Roberto Vilhena Vieira. Muito contribuiu para a obtenção desses resultados, o Departamento Técnico da ABCM que, desde o início das atividades da Associação, trabalhou no sentido de orientar os criadores para evitar acasalamentos consangüíneos.

ANABIC (Associazione Nazionale Allevatori
Bovini Italiani da Carne) - www.anabic.it
REGIONE MARCHE - www.regione.marche.it