Tipo
produtor de carne caracterizado por notável desenvolvimento dos
músculos e do quarto traseiro, com um tronco alongado e que tende
a ser cilíndrico. Particularmente precoce e adaptado aos ambientes
mais difíceis.
Do bovino Marchigiana, devemos
ressaltar, principalmente, o grande comprimento de seu tronco, a força
de seus diâmetros transversais e a fineza da sua estrutura esquelética.
Considerando em sua totalidade, é harmonioso, ágil em seus
movimentos e de temperamento dócil.
Ele se caracteriza pela
sua elevada capacidade de ganho de peso (os indivíduos adultos
podem superar o peso de 1.200 Kg nos touros e 700 Kg nas vacas) com adequado
acabamento de carcaça , altas taxas de fertilidade, rusticidade,
sendo uma das características mais marcantes a tolerância
ao calor.
Os
animais nascem em média com 42 Kg de peso ao nascer e estão
aptos à reprodução à partir dos 16 meses para
fêmeas e 18 meses para os machos.
Na busca de animais mais
precoces, a raça passou por uma evolução nos últimos
cinco anos. Houve uma sensível diminuição na altura
dos animais com incremento na profundidade torácica, comprimento e
musculosidade.
PADRÃO
DA RAÇA
ESTATURA
Desejada - machos adultos
- 1,55 m. de altura de cernelha
vacas adultas - 1,47 m. de altura de cernelha
PESO VIVO - De acordo com a idade.
PELAME- Pelos brancos, curtos, lisos, brilhantes. Nos machos
podem existir áreas de escurecimento dos pelos na parte anterior
do corpo, ou seja, em torno dos olhos, nos antebraços, nas orelhas
e na barbela pela presença de pelos pretos ou cinza escuros, mesclados
com pelos brancos. Vassoura da cauda preta ou mesclada e cílios
pretos. Os bezerros ao nascer têm uma coloração castanha-avermelhada,
tornando-se brancos em torno do terceiro mês de vida.
PIGMENTAÇÃO-Tanto em machos como em fêmeas,
pele, pálpebras, mucosas orais (espelho do focinho, palato da língua),
aberturas naturais e cascos devem ser pretos ou cinza escuros (ardósia).
PELE - Solta, macia, facilmente palpável em pregas.
CABEÇA - Leve, curta e larga, perfil retilíneo;
marrafa bem destacada com tufo de pelos brancos ou ligeiramente acinzentados,
olhos grandes, focinho largo, preto, não despigmentado, narinas
amplas e dilatadas, lábios pronunciados, mandíbulas fortes,
orelhas médias, bem implantadas, retilíneas.
CHIFRES- De seção elíptica na base,
com inserção lateral direcionando-se para o alto e pretos
nos animais jovens, amarelados ou mais claros na inserção
e pretos nas pontas dos animais adultos, curtos, grossos. É permitida
a descorna.
PESCOÇO - curto, grosso e giboso nos machos, um pouco
mais alongado e menos musculoso nas fêmeas, barbela desenvolvida
projetando-se até a região do esterno.
PALETA- larga, ampla e musculada, bem aderida ao tronco, paralela
ao plano sagital médio, e apropriadamente angulada.
CERNELHA - larga e musculosa, unindo-se harmoniosamente ao pescoço.
DORSO- longo, largo e musculoso.
LOMBO - musculoso, espesso, largo e longo. Linha dorso-lombar
retilínea.
PEITO- largo e musculoso.
TÓRAX - amplo e profundo. Sua profundidade deve exceder
a distância do esterno ao solo, sendo que 60% da altura da cernelha
deve corresponder à profundidade do tórax, com costados bem
arqueados.
VENTRE - amplo firme, bem suportado.
FLANCOS- arredondados, bem conectados com as áreas adjacentes.
GARUPA - musculosa e bem desenvolvida.
A - Comprimento:
desenvolvido e com uma leve inclinação antero-posterior;
B - Largura: ampla
e plana.
A vértebra
sacra não deve ser muito marcada. Cauda fina com inserção
correta.
COXAS
- amplas e de contorno convexo, com acentuado desenvolvimento
muscular.
NÁDEGA - bem desenvolvida e com um perfil convexo bem
evidenciado.
MEMBROS ANTERIORES - aprumos corretos, com articulações
fortes e bem posicionados. As canelas devem demonstrar leveza esquelética.
MEMBROS POSTERIORES -
aprumos corretos, pernas musculosas, jarretes fortes com correta angulação,
canelas sólidas e leves.
CASCOS - de tamanho adequados, fortes, com talões altos.
ÚBERE:
bem desenvolvido, vascularizado e com base larga. Quartos regulares. Macio
ao tato. Tetos bem direcionados e dimensionados para o aleitamento.
TESTÍCULOS- bem proporcionais e desenvolvidos. (os animais
com idade superior a 36 meses devem possuir circunferência escrotal
igual ou superior a 41 cm)
PREPÚCIO - curto e bem implantado.
DEFEITOS
a. -
Que desclassificam para Registro em Livro Genealógico.
a.1 -
Pele totalmente rósea;
a.2 -
Despigmentação parcial da língua, com início
na região frênica;
a.3 -
Vassoura da cauda totalmente branca;
a.4 -
Agnatismo ou prognatismo;
a.5 -
Monorquidismo ou criptoquidismo;
a.6 -
Manchas escuras (acinzentadas a pretas) específicas e
delimitadas do corpo.
b. -
Que sem desclassificarem, podem conduzir pela sua
intensidade, desclassificação:
b.1 -
Cabeça grosseira e pesada;
b.2 -
Perfis - convexo ou côncavo;
b.3 -
Intensa depressão (seladura) na linha dorso-lombar;
b.4 -
Sacro muito saliente, inserção da cauda defeituosa;
b.5 -
Acentuada depressão logo atrás das espáduas;
b.6 -
Membros muito longos e finos;
b.7 -
Jarretes fracos ou retilíneos;
b.8 -
A pelagem castanho-avermelhada distribuída ao longo do corpo;
b.9 -
A existência de pele-rósea, exclusivamente em região
limitada,
a vassoura da cauda cinza e a despigmentação parcial das
mucosas orais são tolerados em indivíduos que preencham
requisitos morfológicos funcionais.
Cruzamento Industrial
Com a estabilização
da economia, o boi que era uma "commodity", com caráter de investimento
passa a ser uma atividade produtiva, que exige uma maior eficiência
do setor, na busca da produtividade e qualidade.
Na busca da produção,
pesquisas interessantes são desenvolvidas e novas tecnologias surgem
para dar suporte a este processo de transformação que vai
permitir aumentar os lucros operacionais da atividade e levarão
a contínuos aumentos na produtividade e na qualidade dos produtos.
Neste contexto novos horizontes
se abrem e apontam como perspectiva para o aumento de produtividade com
qualidade o cruzamento industrial.
O cruzamento de raças
taurinas com zebuínas faz com que se manifeste um sinergismo das
características produtivas. Esse aumento de produtividade é
traduzido em aumento da velocidade de ganho de peso, diminuição
da idade dos animais ao abate, apresentando também um incremento
de qualidade através da marmorização provocada pelas
raças taurinas, conferindo maior sabor e maciez na carne, mantendo
inalterada a capacidade do bovino nacional de adaptar-se às condições
normais de alimentação e manejo habituais.
Nesse particular, a raça
Marchigiana constitui uma opção ideal para os cruzamentos
com os zebuínos, em especial o Nelore, em razão de suas características:
1-
Possui pelagem clara, fina e de pelos medulados, em tudo semelhante ao
Nelore, mantendo estas características nos produtos cruzados;
2 -
Tem pele preta, vascularizada e oleosa, com grande capacidade de dissipação
de calor e resistência aos ectoparasitas;
3 - É extremamente rústica
e precoce;
4 -
Gera produtos de rápido ganho de peso, com sensível diminuição
da idade ao abate;
5 -
Seus produtos apresentam alto rendimento e qualidade de cortes
cárneos com adequado acabamento de gordura de cobertura;
6 -
Permite o aproveitamento das fêmeas cruzadas também para
engorda e abate, igualmente precoces.
No sistema de monta natural,
um reprodutor Marchigiana pode servir a 40 vacas, e em monta controlada,
este número ultrapassa 100 matrizes. Os produtos meio-sangue nascem,
em média com 35 Kg, de parições normais. O peso a
desmama, em regime de pastagens é em média 240 Kg, e o peso
ao abate de 18@ aos 24 meses.
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